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Dra. Tahirih Kaffashi – Psiquiatra

Uma pessoa pode passar meses dizendo que está apenas cansada, irritada ou sem foco. Pode continuar trabalhando, cuidando da família e comparecendo aos compromissos, enquanto sente que algo mudou por dentro. O diagnóstico psiquiátrico começa justamente nesse ponto: não em um rótulo apressado, mas na compreensão cuidadosa do que está acontecendo, há quanto tempo e de que forma isso atravessa a vida.

Receber uma hipótese diagnóstica pode trazer alívio para quem passou muito tempo sem conseguir nomear o próprio sofrimento. Ao mesmo tempo, é natural que surjam receios sobre medicações, julgamentos ou a ideia de que um diagnóstico define quem se é. Não define. Ele é uma ferramenta clínica para orientar decisões, aliviar sintomas e construir um cuidado coerente com a sua história.

O que é um diagnóstico psiquiátrico

O diagnóstico psiquiátrico é uma avaliação médica realizada para identificar padrões de sintomas, seu curso ao longo do tempo, possíveis causas e impactos no funcionamento da pessoa. Ele ajuda a diferenciar, por exemplo, uma reação esperada a um momento difícil de um quadro de ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático ou outra condição que mereça tratamento específico.

Esse processo se baseia em critérios técnicos consolidados pela psiquiatria e em evidências científicas. Porém, critérios não substituem escuta. Duas pessoas podem apresentar insônia e crises de choro, mas viver contextos, ter antecedentes, necessidades e respostas ao tratamento completamente diferentes. Por isso, o cuidado responsável não se limita a marcar sintomas em uma lista.

Também não existe exame de sangue, tomografia ou teste isolado capaz de confirmar a maioria dos transtornos psiquiátricos. Esses recursos podem ser solicitados em algumas situações para investigar condições clínicas que influenciam o humor, o sono, a atenção ou a ansiedade. Ainda assim, a base do diagnóstico é a consulta detalhada e a relação entre médico e paciente.

Como funciona a consulta para diagnóstico psiquiátrico

A primeira consulta costuma ser mais longa porque é o momento de conhecer o sofrimento atual e o caminho que trouxe a pessoa até o atendimento. Não há obrigação de contar tudo perfeitamente ou encontrar as palavras certas. Muitas pessoas chegam dizendo apenas: “não estou conseguindo mais lidar”. Isso já é um começo válido.

A conversa aborda os sintomas atuais, quando começaram, com que frequência aparecem e o quanto interferem em áreas como trabalho, estudos, sono, alimentação, relacionamentos e autocuidado. Também podem ser investigadas alterações de energia, pensamento, memória, concentração, irritabilidade, medo, compulsões, uso de álcool ou outras substâncias e experiências traumáticas.

A história de vida tem relevância clínica. Eventos marcantes, perdas, relações familiares, vivências na infância, mudanças recentes e condições de saúde podem ajudar a compreender o quadro. Antecedentes pessoais e familiares de transtornos mentais, tratamentos anteriores, internações e medicamentos já utilizados também fazem parte da avaliação.

Em alguns casos, quando a pessoa autoriza e isso é clinicamente útil, informações de familiares podem complementar a consulta. Isso ocorre especialmente quando há mudanças importantes de comportamento, dificuldades de memória, oscilações intensas de humor ou risco à segurança. A confidencialidade continua sendo um princípio essencial do atendimento.

Diagnóstico não é julgamento

Ter sintomas não significa falta de força de vontade, ingratidão ou incapacidade. Ansiedade intensa, pensamentos obsessivos, tristeza persistente e reações após um trauma não são falhas de caráter. São experiências que precisam ser acolhidas e avaliadas com seriedade.

Um bom diagnóstico não reduz alguém a “ser ansioso”, “ser depressivo” ou “ser bipolar”. A pessoa é maior do que qualquer categoria clínica. O objetivo é entender o que causa sofrimento e quais intervenções podem favorecer uma vida mais estável, possível e significativa.

Por que o diagnóstico pode levar mais de uma consulta

Nem sempre uma única conversa permite fechar um diagnóstico com segurança. Alguns sintomas se sobrepõem: insônia pode estar relacionada à ansiedade, depressão, estresse, uso de substâncias, alterações hormonais ou a uma combinação desses fatores. Dificuldade de concentração, por sua vez, pode aparecer em diferentes condições e também em períodos de sobrecarga intensa.

Além disso, sintomas podem mudar ao longo das semanas. Uma pessoa procura ajuda por ansiedade, mas, com o avanço da escuta, percebe-se a presença de comportamentos compulsivos, episódios de humor muito elevado ou consequências de um trauma que não haviam sido associadas ao sofrimento inicial.

Nessas situações, aguardar, acompanhar e revisar hipóteses é uma demonstração de cautela, não de indecisão. A psiquiatria trabalha com informações clínicas que se tornam mais claras com o tempo. Um plano inicial pode ser criado para aliviar o sofrimento enquanto a avaliação continua.

O que diferencia uma avaliação cuidadosa

Uma avaliação psiquiátrica de qualidade considera sintomas, contexto e segurança. Isso inclui investigar a intensidade do sofrimento, a presença de pensamentos de morte ou autoagressão, alterações importantes de comportamento e situações que exijam suporte mais imediato. Fazer essas perguntas não significa presumir algo sobre o paciente. Significa abrir espaço para que temas difíceis possam ser tratados sem julgamento.

Também é necessário avaliar diagnósticos diferenciais. Antes de atribuir determinados sintomas a um transtorno mental, o psiquiatra pode considerar efeitos de medicamentos, condições clínicas, alterações do sono e uso de substâncias. Essa atenção evita tratamentos inadequados e favorece escolhas mais seguras.

A clareza é outra parte do cuidado. Após a avaliação, a pessoa deve poder entender quais são as hipóteses, o grau de certeza naquele momento, quais opções terapêuticas existem e o que se espera de cada uma. Perguntar, discordar, compartilhar receios e decidir junto faz parte de uma relação terapêutica ética.

Depois do diagnóstico: um plano que faça sentido para você

O diagnóstico não encerra a consulta. Ele orienta a construção de um plano terapêutico individualizado, que pode incluir psicoterapia, medicação, ajustes de hábitos, investigação clínica complementar e acompanhamento regular. A combinação indicada varia conforme o quadro, a gravidade dos sintomas, tratamentos anteriores, preferências e condições de vida de cada paciente.

A medicação, quando indicada, não é uma solução automática nem obrigatória em todos os casos. Ela deve ser prescrita após avaliação médica, com explicações sobre objetivo, benefícios esperados, possíveis efeitos adversos e tempo necessário para observar resposta. Mudanças de dose ou interrupções não devem ser feitas por conta própria, pois podem causar piora dos sintomas ou efeitos de retirada.

O acompanhamento longitudinal permite observar não apenas se um sintoma diminuiu, mas se a pessoa voltou a dormir melhor, retomou atividades importantes, recuperou vínculos ou passou a se sentir mais presente na própria vida. Às vezes, é preciso ajustar a estratégia. Isso não significa fracasso: encontrar o tratamento adequado pode exigir tempo, diálogo e revisão cuidadosa.

Na prática da Dra. Tahirih Kaffashi, a consulta presencial em São Paulo e o atendimento online partem desse princípio: sua história é escutada para que o cuidado não seja genérico, apressado ou baseado apenas em uma queixa isolada.

Quando procurar ajuda psiquiátrica

Vale buscar uma avaliação quando o sofrimento persiste, se intensifica ou começa a limitar a vida cotidiana. Crises de ansiedade frequentes, medo que impede atividades comuns, pensamentos repetitivos difíceis de controlar, alterações marcantes de sono ou apetite, tristeza prolongada, irritabilidade intensa e dificuldade de trabalhar ou se relacionar são exemplos de sinais que merecem atenção.

Não é preciso esperar chegar ao limite para marcar uma consulta. Procurar ajuda cedo pode evitar que o quadro se torne mais incapacitante e oferece um espaço protegido para compreender o que está acontecendo. Se houver pensamentos de suicídio, risco de se machucar ou de machucar alguém, a prioridade é buscar atendimento de urgência imediatamente ou acionar uma pessoa de confiança para não permanecer só.

Um diagnóstico feito com escuta sensível não entrega uma sentença sobre o seu futuro. Ele pode ser o primeiro passo para transformar confusão em compreensão e sofrimento em um caminho de cuidado possível, respeitoso e acompanhado.

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