Dra. Tahirih Kaffashi – Psiquiatra

Você já se viu preso em pensamentos repetitivos e angustiantes que parecem não ter fim? Ou sentiu uma necessidade incontrolável de realizar certos rituais, como lavar as mãos muitas vezes, checar trancas ou arrumar objetos de uma maneira específica, mesmo sabendo que talvez não faça sentido? 

Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinho. Muitas pessoas experimentam esses comportamentos, e eles podem ser sinais do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

O TOC é um transtorno mental mais comum do que se imagina, afetando cerca de 2 a 3% da população ao longo da vida.

Ainda assim, é frequentemente subdiagnosticado e subtratado. Muitas pessoas se sentem envergonhadas ou até mesmo confusas sobre seus sintomas, o que dificulta a busca por ajuda.

É importante saber que o TOC é uma condição de saúde mental complexa, mas existe tratamento eficaz.

Quando não tratado, o transtorno pode afetar a autoestima, os relacionamentos, as atividades do dia a dia e até o desempenho acadêmico ou profissional.

COMO A DRA TAHIRIH KAFFASHI PODE TE AJUDAR NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO?

Sou médica psiquiatra, com residência em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

psiquiatra é o profissional especializado no cuidado de transtornos mentais, como o transtorno obsessivo-compulsivo — e esse cuidado vai muito além da prescrição de medicamentos.

Acredito que cada pessoa tem uma história única, e que essa história merece ser acolhida com escuta verdadeira, empatia e respeito.

Meu trabalho é baseado na união entre conhecimento técnico e uma abordagem sensível, que reconhece a singularidade de cada paciente.

Para mim, cuidar da saúde mental é, antes de tudo, um encontro humano. É enxergar quem está ali do outro lado, antes de qualquer diagnóstico.

Se você está buscando ajuda, saiba: você não está sozinho(a). Estou aqui para oferecer um espaço seguro e sem julgamentos, onde possamos, juntos, compreender o que está acontecendo e construir caminhos de alívio e bem-estar.

DEPOIMENTOS

Veja depoimentos de pacientes que já consultaram com a Dra Tahirih Kaffashi:

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO TOC?

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) se manifesta principalmente por meio de obsessões e/ou compulsões.

Os primeiros sintomas costumam surgir ainda na adolescência ou no início da vida adulta, e o quadro tende a evoluir de forma crônica e progressiva.

Em muitos casos, o diagnóstico demora anos, o que atrasa o início do tratamento e aumenta o sofrimento.

1. OBSESSÕES:

As obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos mentais repetitivos, indesejados e difíceis de controlar (intrusivos). Elas geram ansiedade, medo ou mal-estar, mesmo quando a pessoa reconhece que são irracionais.

Obsessões comuns incluem:

  • Medo de contaminação ou sujeira
  • Medo de machucar alguém ou a si mesmo, mesmo sem querer
  • Dúvidas constantes, como “será que desliguei o gás?”
  • Obsessão com simetria e perfeição
  • Pensamentos religiosos ou sexuais indesejados

2. COMPULSÕES:

As compulsões são comportamentos ou rituais mentais repetitivos, realizados como uma forma de tentar aliviar a angústia provocada pelas obsessões.

A pessoa sente que precisa realizar esses atos para se sentir mais calma ou evitar que algo ruim aconteça, mesmo sabendo que isso não faz sentido racionalmente.

As compulsões podem ser:

Comportamentais, como:

  • Lavar as mãos repetidamente
  • Verificar portas, fogão ou luzes muitas vezes
  • Organizar objetos de forma “perfeita”

Ou mentais, como:

  • Contar mentalmente
  • Repetir frases ou orações em silêncio
  • Repassar eventos mentalmente para “ter certeza”

As compulsões não trazem prazer, mas apenas aliviam momentaneamente o sofrimento causado pelas obsessões. Para muitas pessoas, esse ciclo obsessivo-compulsivo torna-se um fardo significativo, interferindo em sua vida pessoal, social e profissional.

E O QUE SÃO OS FENÔMENOS SENSORIAIS?

Muitas pessoas com TOC relatam sensações físicas ou mentais desagradáveis que surgem antes das compulsões, o que aumenta ainda mais o impulso de realizar os rituais.

Essas sensações são chamadas de fenômenos sensoriais e podem incluir:

  • Coceiras ou incômodos físicos, como se algo estivesse fora do lugar
  • Sensação visual, auditiva ou tátil de que “algo não está certo”
  • Sentimento de incompletude ou imperfeição, mesmo sem uma causa clara

Nesse caso, a pessoa não faz o ritual apenas por medo, mas também para aliviar essa sensação interna de que algo está errado, até se sentir “em ordem”.

O PAPEL DA FAMÍLIA: O QUE É ACOMODAÇÃO FAMILIAR NO TOC?

Quem convive com alguém que tem transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) sabe o quanto os sintomas podem impactar não só o paciente, mas também toda a rotina da casa. Pais, cônjuges, irmãos e outros familiares muitas vezes ajustam seus comportamentos para evitar crises ou diminuir o sofrimento da pessoa com TOC.

Esse fenômeno é conhecido como acomodação familiar. Acontece quando os familiares:

  • Participam ou facilitam os rituais compulsivos
  • Evitam situações que podem desencadear obsessões
  • Adaptam a rotina da casa para não gerar conflito ou ansiedade

Tudo isso é feito, geralmente, com boa intenção para ajudar ou proteger o ente querido. No entanto, essa colaboração reforça os sintomas a longo prazo.

Embora a acomodação traga alívio momentâneo, ela acaba mantendo o ciclo do TOC. Isso acontece porque:

  • Evita que o paciente enfrente a ansiedade e aprenda a lidar com ela
  • Reforça a ideia de que os rituais são necessários para “evitar algo ruim”
  • Aumenta a dependência emocional e comportamental

Além disso, muitos familiares continuam acomodando por medo de reações agressivas, culpa ou desgaste emocional.

Estudos mostram que quanto maior o nível de acomodação familiar, mais intensos tendem a ser os sintomas do TOC e mais difícil é o progresso no tratamento.

Por outro lado, quando a família é incluída nas intervenções e aprende a reduzir esses comportamentos, a evolução tende a ser muito melhor.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DO TOC?

O diagnóstico do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é clínico, ou seja, feito a partir de uma avaliação cuidadosa realizada por um médico psiquiatra.

Não há exames laboratoriais ou de imagem que confirmem o TOC. O diagnóstico depende de uma escuta atenta e detalhada sobre os sintomas e o impacto que causam na vida da pessoa.

Esse processo é guiado por critérios definidos em manuais internacionais, como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças).

O primeiro passo é uma conversa aprofundada sobre os sintomas, seu início e evolução. O especialista procura identificar:

  • Presença de obsessões: pensamentos ou imagens repetitivas, indesejadas e difíceis de controlar, que geram ansiedade ou desconforto
  • Presença de compulsões: comportamentos ou rituais mentais realizados para aliviar a angústia provocada pelas obsessões
  • Interferência na rotina: o quanto os sintomas afetam a vida pessoal, profissional, acadêmica e social
  • Duração e frequência dos sintomas
  • Presença de comorbidades como depressão, ansiedade generalizada, fobia social ou TDAH, que são comuns em quem tem TOC.

QUAIS CRITÉRIOS SÃO NECESSÁRIOS PARA CONFIRMAR O DIAGNÓSTICO?

Segundo os manuais diagnósticos, os sintomas devem:

  • Estar presentes na maior parte dos dias por pelo menos duas semanas consecutivas
  • Provocar sofrimento emocional intenso, ansiedade ou angústia significativa
  • Prejudicar o funcionamento em áreas importantes da vida, como trabalho, estudos ou relacionamentos
  • Não ser explicados por outra condição médica, uso de medicamentos ou substâncias psicoativas

POR QUE PROCURAR UM PROFISSIONAL ESPECIALIZADO?

Muitas pessoas com TOC demoram a buscar ajuda, por vergonha ou medo de serem julgadas. Outras tentam lidar sozinhas, achando que “é só uma mania” ou que “vai passar”. Isso pode atrasar o diagnóstico por anos.

Além disso, quando os sintomas são mais internos (rituais mentais, por exemplo), podem passar despercebidos, inclusive por profissionais não familiarizados com o transtorno.

Receber um diagnóstico correto é o primeiro passo para um tratamento eficaz. Um profissional capacitado não apenas identifica o TOC, mas também acolhe o paciente com empatia, sem julgamentos, explicando o que está acontecendo e quais são os próximos passos para a melhora.

COMO É FEITO O TRATAMENTO DO TOC?

O tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma etapa essencial para melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com a condição. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, melhores são os resultados.

Infelizmente, por vergonha dos sintomas, medo do tratamento ou falta de informação sobre o transtorno, muitas pessoas demoram anos para buscar ajuda adequada. Essa demora pode levar a tratamentos ineficazes, agravando os sintomas e perpetuando o sofrimento.

O tratamento do TOC é baseado em  psicoeducação, psicoterapia e uso de medicamentos. Cada paciente tem um plano de tratamento personalizado, ajustado às suas necessidades.

1. PSICOEDUCAÇÃO:

A psicoeducação é o primeiro passo no tratamento do TOC e tem como objetivo ajudar o paciente e sua família a compreender:

  • Quais são os sintomas e como o TOC se manifesta.
  • As possíveis comorbidades (outros transtornos que podem ocorrer junto ao TOC, como ansiedade e depressão).
  • Os fatores biológicos e genéticos que influenciam o transtorno, desmistificando a ideia de que “falta de força de vontade” tem algum papel no TOC.

Saber que o TOC é um transtorno compreendido e que existe tratamento eficaz pode trazer alívio e encorajar a adesão ao cuidado. A inclusão da família é especialmente importante, principalmente para pacientes mais jovens, que podem precisar de maior suporte.

2. PSICOTERAPIA:

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada o padrão-ouro no tratamento psicológico do TOC.

Na TCC, o método mais eficaz para tratar o TOC é a técnica de Exposição com Prevenção de Respostas (EPR). Esse tratamento funciona da seguinte maneira:

  • O paciente é gradualmente exposto ao estímulo temido, ou seja, aquilo que desencadeia suas obsessões.
  • Simultaneamente, ele é orientado a não executar as compulsões habituais que costumam trazer alívio momentâneo (prevenção de respostas).

A TCC pode ser realizada individualmente ou em grupo.

3. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

Os medicamentos são uma parte importante do tratamento para a maioria dos pacientes com TOC, especialmente em casos moderados a graves. 

O principal grupo de medicamentos utilizado são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS).

Aspectos importantes do tratamento farmacológico:

  • Os ISRS são considerados a primeira linha de tratamento devido à sua eficácia e segurança.
  • Doses elevadas dos ISRS são frequentemente necessárias para alcançar resultados, o que pode levar a aumento dos efeitos colaterais (como disfunções sexuais ou sintomas gastrointestinais). Por isso, o acompanhamento pelo médico é essencial para ajustar a dose.
  • Recomenda-se iniciar o medicamento com doses baixas, aumentando-as gradualmente, e aguardar ao menos 12 semanas com a dose máxima antes de decidir pela troca de medicação.
  • Após a melhora dos sintomas, o tratamento deve ser mantido por 1 a 2 anos. Em casos de recaídas graves, o uso dos medicamentos pode ser recomendado por tempo indeterminado.

A interrupção do medicamento deve ser feita de forma gradual e supervisionada para evitar sintomas de abstinência, como irritabilidade, insônia ou tontura.

4. O PAPEL DA FAMÍLIA NO TRATAMENTO

A família desempenha um papel crucial no manejo do TOC, especialmente quando o paciente é criança ou adolescente. Muitas vezes, os familiares acabam, sem perceber, facilitando os rituais do paciente (como participar das checagens ou evitar situações que desencadeiam obsessões), o que é chamado de acomodação familiar.

No tratamento, o terapeuta ajuda os familiares a:

  • Entenderem o que é o TOC e como suas respostas podem reforçar os sintomas.
  • Desenvolverem estratégias para não reforçar os rituais e prestar apoio de forma construtiva.
  • Lidar com reações adversas no paciente ao enfrentar mudanças no ambiente familiar.

A intervenção familiar é uma ferramenta importante para melhorar o ambiente do paciente e promover maior adesão ao tratamento.

5. A IMPORTÂNCIA DA ADESÃO AO TRATAMENTO

Mesmo com tratamentos eficazes, é comum que pacientes com TOC enfrentem momentos de desmotivação ou resistência. Nessas situações, reforçar a importância do tratamento e lembrar dos benefícios em longo prazo pode fazer toda a diferença.

Se você ou alguém que você conhece apresenta sintomas de TOC, não hesite em buscar ajuda especializada. Com o tratamento adequado, é possível recuperar o equilíbrio emocional e melhorar a qualidade de vida.

CONCLUSÃO:

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma condição psiquiátrica frequente e incapacitante, que pode se manifestar de maneiras variadas em cada paciente.

Por ser um transtorno frequentemente marcado por sintomas secretos e egodistônicos (em que os pensamentos e comportamentos causam grande desconforto, sendo percebidos como estranhos ou indesejados), muitas pessoas demoram a reconhecer que precisam de ajuda ou até mesmo evitam buscar tratamento, o que acentua o sofrimento.

Uma avaliação minuciosa realizada por um psiquiatra é essencial para compreender não apenas os sintomas centrais do TOC, mas também fatores como:

  • A gravidade das obsessões e compulsões;
  • O grau de consciência crítica sobre os sintomas;
  • Possíveis comorbidades psiquiátricas

Essa abordagem detalhada permite o planejamento de um tratamento individualizado, que combina estratégias psicoterápicas, farmacológicas e, quando necessário, o envolvimento da família.

Embora o TOC seja um transtorno complexo, ele é tratável. Com o suporte adequado, é possível quebrar o ciclo das obsessões e compulsões, resgatar o bem-estar emocional.

Se você se identificou com algum dos sintomas descritos, não hesite em buscar ajuda. Com o devido cuidado, é possível transformar sua relação com o TOC e reconquistar sua qualidade de vida.

Agende uma consulta e dê o primeiro passo em direção ao cuidado especializado.

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